DataTrends e a consolidação de uma marca de credibilidade
Publicado em 27/08/2026 às 06:50


Criado em 2023, o Instituto DataTrends surgiu no mercado de pesquisas enfrentando uma barreira comum a qualquer empresa nova: a desconfiança. Houve questionamentos sobre sua capacidade técnica, metodologia e, sobretudo, sobre a precisão dos números apresentados. O primeiro grande teste veio nas eleições municipais de 2024. Encerradas as urnas, o instituto contabilizou 94% de acerto global nos levantamentos realizados, com resultados expressivos em diferentes regiões e municípios de Pernambuco e do Nordeste.

Entre as capitais pesquisadas, o DataTrends acertou os desfechos de Maceió, João Pessoa e Recife. Na capital pernambucana, o resultado teve um simbolismo ainda maior: o instituto apontou João Campos com 78% dos votos válidos, exatamente o percentual obtido pelo prefeito nas urnas. O desempenho também se repetiu em importantes colégios eleitorais, com acertos em cidades como Olinda, Caruaru, Petrolina e Campina Grande. Era a primeira grande credencial de um instituto que, até então, ainda buscava construir seu espaço no mercado.

Em 2026, um novo teste surgiu na corrida pelo Governo de Pernambuco. Na semana passada, o DataTrends foi o primeiro instituto a apontar a governadora Raquel Lyra numericamente à frente de João Campos, registrando 44% das intenções de voto contra 35% do adversário. O levantamento provocou contestação e desconfiança em setores políticos, sobretudo porque apresentava uma fotografia diferente daquela que havia predominado durante parte da pré-campanha. Poucos dias depois, porém, pesquisas de dois dos mais tradicionais institutos do país apontaram na mesma direção.

O Datafolha registrou Raquel com 47% e João com 40%. Na sequência, a Quaest apresentou 44% para a governadora e 36% para o ex-prefeito. Consideradas as respectivas margens de erro e as diferenças metodológicas de cada levantamento, a convergência entre DataTrends, Datafolha e Quaest é significativa. Mais do que discutir qual instituto encontrou um ponto percentual a mais ou a menos, o aspecto político relevante está na fotografia semelhante apresentada pelos três: Raquel liderando a disputa e João Campos aparecendo em segundo lugar, com distâncias relativamente próximas.

Essa convergência fortalece o processo de consolidação do DataTrends. O instituto ampliou sua atuação para além de Pernambuco e vem realizando pesquisas em estados como Ceará, Bahia, Alagoas e Paraíba, buscando transformar uma marca inicialmente regional em uma referência mais ampla no segmento. Naturalmente, credibilidade em pesquisa eleitoral não se conquista com um único levantamento, mas pela repetição de resultados consistentes ao longo do tempo.

Foi assim em 2024, quando as urnas representaram o principal teste para os números divulgados pelo instituto. E 2026 será outra prova importante. Pesquisa é fotografia de momento, não previsão eleitoral, e todo instituto deve permanecer submetido ao escrutínio público e técnico. Mas os resultados recentes mostram que o DataTrends avançou na construção de sua credibilidade. De um instituto recebido inicialmente com dúvidas, passou a apresentar números que encontram respaldo em levantamentos de marcas nacionais. Em Pernambuco, essa trajetória já lhe garantiu espaço relevante no debate político. O próximo passo será transformar consistência regional em reconhecimento nacional.

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