Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE apresenta em evento, no dia 31 de março, resultados parciais
Publicado em 27/03/2026 às 14:29


Pelo levantamento realizado de junho de 2025 até agora, pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos vinculados à Universidade foram alvo de práticas autoritárias do regime militar


A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a Ditadura de 1964 apresenta, no dia 31 de março, data que marca o golpe militar que instaurou um regime autoritário no Brasil, os resultados parciais do trabalho iniciado em junho de 2025, em evento a ser realizado a partir das 9h, no Auditório João Alfredo, na Reitoria da Universidade.


Pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos vinculados à Universidade foram alvo de práticas autoritárias do regime militar que vão desde pedidos de informação sobre eventuais envolvimentos com atividades “subversivas” a cancelamentos de bolsas, desligamento de curso, demissões, entre outros. Destes, 132 foram presos ou detidos e, pelo menos, seis estudantes foram mortos pela repressão. Além de detalhar esses resultados parciais, o evento “A UFPE e o compromisso com as memórias” permitirá à Comissão anunciar as próximas etapas desse trabalho de investigação e de reconstrução histórica da repressão na universidade entre 1964 a 1985.


Participarão da mesa de abertura o reitor Alfredo Gomes, o vice-reitor Moacyr Araújo, o presidente da Comissão da Verdade, professor Bruno Kawai (Departamento de História), a professora Socorro Ferraz (representante da Comissão da Verdade Estadual), a professora Márcia Ângela da Silva Aguiar (presidente da Fundação Joaquim Nabuco), o escritor Sidney Rocha (diretor do Arquivo Público do Estado de Pernambuco) e a ativista Amparo Araújo (representante da Comissão Nacional de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos). Também estarão presentes familiares, representantes ou os próprios professores, estudantes ou técnicos que sofreram algum tipo de violência política no período investigado, como o advogado Marcelo Santa Cruz, que foi expulso do curso de Direito da UFPE e hoje volta à Universidade como integrante da Comissão.


No evento, a discussão sobre a importância do direito fundamental à memória como defesa contínua da democracia será realizada pela palestra “Universidade, Memória e Reparação”, da professora Ana Paula Brito, do Departamento de Antropologia, que também integra a Comissão.


EXPOSIÇÃO E VÍDEOS - Como parte do evento e sob a responsabilidade da professora Soraia de Carvalho, do Departamento de Serviço Social, e do professor José Marcelo Ferreira Filho (integrante da comissão), do Departamento de História, serão remontadas exposições organizadas pelo Núcleo de Documentação sobre os Movimentos Sociais Dênis Bernardes (Nudoc) da UFPE: “Lutas de Classes sob a ditadura de 1964-1985” e “Tecendo memórias e lutas”, em torno da memória de Soledad Barret e Padre Henrique, que foram assassinados por motivos políticos.


Um conjunto de vídeos que recuperam a história e memória dos estudantes da UFPE, assassinados pelos agentes da repressão durante a Ditadura de 1964, também será lançado durante a cerimônia. Com três minutos cada, os vídeos começam a ser exibidos no mesmo dia, como interprogramas, às 18h, na TVU. O material audiovisual foi produzido, no semestre passado, por alunos da disciplina eletiva “Jornalismo, Memória e Verdade”, com a equipe do Laboratório de Imagem e Som (LIS) do Departamento de Comunicação Social. No mesmo semestre, estudantes de jornalismo também realizaram 18 trabalhos escritos entre reportagens e entrevistas que serão disponibilizados no site da Comissão. As professoras Paula Reis e Yvana Fechine, que integram a comissão e orientaram os trabalhos, também vão discorrer no evento sobre as experiências pedagógicas envolvidas na realização dos produtos de memória.


O envolvimento dos estudantes é uma importante particularidade do trabalho da Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE. Todo o levantamento de dados vem sendo realizado com a participação de estudantes voluntários e bolsistas, acompanhados pela servidora técnico-administrativa Roberta Lira, responsável pela sistematização, sob a supervisão dos professores, integrantes da Comissão estadual e especialistas no tema. Neste semestre, o professor José Marcelo Ferreira Filho ministra a disciplina “Prática de pesquisa histórica”, associada ao esforço da Comissão no trabalho de sistematização dos dados.


AUDITÓRIO - A realização do evento no Auditório João Alfredo, no prédio da Reitoria, tem também um simbolismo. João Alfredo Costa Lima, reitor da então Universidade do Recife (atual UFPE), quando eclodiu o golpe empresarial-militar de 1964, foi também uma vítima da repressão que se instalou no Brasil, resultando na prisão de intelectuais e figuras públicas da época. Em meio às pressões dos militares e de opositores que o acusavam de abrigar “comunistas” na Universidade, ele acabou renunciando ao cargo poucos meses depois do golpe.


Mais notícias da UFPE em: www.ufpe.br/ascom/noticias

Veja Também

Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE apresenta em evento, no dia 31 de março, resultados parciais

Secretária de Cultura do estado de Pernambuco confirma presença na abertura do Festival ‘Pernambuco Meu País’

“Reconheço na governadora atributos indispensáveis para governar Pernambuco”, diz Armando Monteiro Neto na Rede Pernambuco de Rádios

"Pernambuco sempre teve um espírito de luta pela liberdade, democracia e igualdade", destaca a governadora Raquel Lyra em cerimônia da Data Magna de Pernambuco