Moda Center participa ativamente no Recife de dois importantes encontros em defesa do Polo de Confecções
Publicado em 27/05/2026 às 19:10


Reuniões aconteceram no Palácio do Campo das Princesas e na Assembleia Legislativa.


O Moda Center, representado pelo síndico Tales Nery, participou de dois importantes encontros realizados no Recife com o objetivo de defender os interesses do Polo de Confecções do Agreste Pernambucano diante dos desafios econômicos enfrentados atualmente pelo setor.


As discussões envolveram representantes empresariais, entidades e lideranças políticas preocupadas com os possíveis impactos sobre a competitividade da indústria nacional de confecções, responsável pela geração 300 mil empregos diretos em Pernambuco e 8 milhões de postos de trabalho em todo o país.


Desafios preocupam setor confeccionista


Entre os temas debatidos, esteve a medida provisória assinada pelo presidente Lula (PT) em 12 de maio, que pôs fim à tributação federal para compras internacionais abaixo de 50 dólares.


Para representantes do setor confeccionista, a medida amplia a concorrência dos produtos importados, principalmente os oriundos da China, frente aos artigos produzidos no Brasil, que enfrentam custos mais elevados de produção, carga tributária e despesas operacionais.


De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), cerca de 80% da produção nacional de moda estaria concentrada justamente na faixa de produtos abaixo de US$ 50, segmento diretamente impactado pela concorrência internacional.


Outro ponto discutido foi a possibilidade de taxação do poliéster importado, matéria-prima utilizada na fabricação de fios e tecidos amplamente empregados pela indústria nacional da moda.


Também entrou na pauta o fim de incentivos fiscais em todo o país, incluindo programas estaduais como o Nota da Moda em Pernambuco (que reduz de 20% para 2% o ICMS a ser pago pelos confeccionistas informais na emissão de Notas Fiscais Avulsas), cenário que pode elevar ainda mais os custos de produção do setor.


Reuniões mobilizaram representantes do Polo


O primeiro encontro aconteceu no Palácio do Campo das Princesas, com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). Na ocasião, foi entregue uma pauta conjunta contendo reivindicações e propostas voltadas à proteção e fortalecimento do setor confeccionista pernambucano.


O documento foi construído e assinado por quase 40 representantes do empresariado, entidades e associações de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, durante encontro realizado no Auditório do Moda Center na última sexta-feira (22).


Durante a reunião, a governadora anunciou a criação de um grupo de trabalho para aprofundar estudos técnicos e construir estratégias voltadas à preservação da competitividade do Polo.


“Por isso, a criação de um grupo de trabalho que permita aprofundar esses números e apresentar Pernambuco e o segmento da economia estratégias que tornem e mantenham o Polo de Confecções sendo competitivo não só para dentro de nosso estado, mas para o Brasil”, pontuou Raquel Lyra.


Já na terça-feira, Tales Nery também participou de audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Pernambuco. O encontro foi solicitado pelo deputado estadual Edson Vieira (Podemos) e conduzido pelo deputado Mário Ricardo (Podemos), presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico e Turismo da Casa.


A audiência reuniu empresários do setor, representantes de entidades empresariais, centros de compras, secretarias municipais de Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru, além da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco - FIEPE.


Como encaminhamentos, foram anunciados o envio de um apelo aos deputados federais pernambucanos, o acompanhamento técnico da produção de insumos têxteis e a elaboração de uma carta pública direcionada à população, mostrando o posicionamento contrário de todos frente a esses desafios.


"O Polo de Confecções não pede privilégio, pede equilíbrio. Ele não quer o fechamento de mercado nem de fábrica, quer isonomia. O Polo não exige tratamento especial, exige justiça concorrencial. Nosso polo é forte, gigante, mas precisa de proteção e de respeito institucional”, destacou o deputado Edson Vieira.


Para Tales Nery, o momento exige união e diálogo entre o setor produtivo e o poder público para proteger uma das principais cadeias econômicas do Estado.


“O nosso Polo de Confecções movimenta quase R$ 20 bilhões por ano e é responsável direta e indiretamente por mais de 300 mil empregos. Estamos falando de milhares de famílias que dependem dessa cadeia produtiva. Precisamos defender a competitividade de quem produz no Brasil e esses encontros foram fundamentais para mostrar a força do nosso Polo e buscar soluções conjuntas para proteger empregos, empresas e a economia de toda a nossa região. Que a gente possa levar essas considerações para uma esfera federal e que possamos pressionar de uma maneira planejada para que a gente possa levar, de fato, com uma maior efetividade e não apenas estar reagindo ao que nos acontece.”, destacou o síndico.

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