A polêmica em torno da chamada “taxa das blusinhas” ganhou novos capítulos no Agreste pernambucano. Durante entrevista exclusiva à Rede Pernambuco de Rádios e ao Blog do Alberes Xavier, o deputado estadual Diogo Moraes (PSB) respondeu às críticas feitas pelo deputado Edson Vieira (União Brasil), que havia acusado lideranças políticas da região de enganar a população ao afirmar que a situação estaria resolvida.
Na última semana, Edson declarou que Diogo Moraes, o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Helinho Aragão, o ex-prefeito Fàbio Aragão e o deputado federal Felipe Carreras teriam criado uma falsa expectativa em torno das negociações envolvendo a tributação das compras internacionais.
O parlamentar também atribuiu ao PSB responsabilidade pela medida, argumentando que o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, integra o partido e exerce influência sobre a política econômica do governo federal.
A resposta de Diogo veio em tom duro. “Infelizmente, discutir política com Edson Vieira é muito complicado. Ele muda de ideia muito rápido e não tem uma discussão política fixa. Muda com muita rapidez”, disparou.
O deputado do PSB afirmou que o adversário estaria tentando transformar uma discussão econômica nacional em uma disputa partidária local. Segundo ele, a chamada taxa das blusinhas não afeta apenas o Polo de Confecções do Agreste, mas toda a cadeia produtiva do país.
“Isso precisa ser tratado com seriedade e não politizado. Não é uma questão do PSB, nem uma questão estadualizada. É uma discussão da política econômica brasileira”, afirmou.
Diogo também elevou o tom ao acusar Edson Vieira de omitir informações importantes durante o debate. “Eu acho que o deputado faltou um pouquinho de transparência e honestidade nas falas dele”, declarou.
Segundo o parlamentar, enquanto a oposição concentra o discurso nas mudanças envolvendo compras internacionais de até 50 dólares, estaria ignorando uma conquista que considera muito mais relevante para o Polo de Confecções. Diogo citou a decisão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), tomada na última sexta-feira, de não aplicar medidas antidumping sobre fios de poliéster importados.
De acordo com ele, a proposta poderia gerar uma sobretaxa superior a 30% sobre matérias-primas amplamente utilizadas pelo setor têxtil da região, elevando custos e comprometendo a competitividade das empresas.
“Essa sim era uma preocupação gigantesca para o Polo. A decisão de não taxar o fio de poliéster foi uma vitória enorme, mas pouca gente está falando sobre isso”, criticou.
Apesar da troca de acusações, o tema continua mobilizando empresários, comerciantes e representantes políticos do Agreste. Uma nova rodada de discussões envolvendo o Ministério da Fazenda deve ocorrer em Brasília, onde lideranças da região pretendem buscar medidas compensatórias para reduzir os impactos da tributação sobre compras internacionais.