Solenidade marca inscrição do nome do procurador da República Pedro Jorge no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria
Publicado em 02/07/2026 às 18:06


Homenagem celebra brasileiras e brasileiros que tenham oferecido a vida para a defesa e a construção do Brasil

“Nossos heróis são hoje pessoas comuns, que souberam viver como poucos as virtudes do bem e do interesse coletivo”. Com essas palavras, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, celebrou a trajetória do procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, que teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria em solenidade realizada nesta terça-feira (30) em Brasília.

O procurador da República foi morto a tiros em 1982 em Olinda (PE), depois de denunciar os responsáveis pelo “Escândalo da Mandioca”, um esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público. A cerimônia de homenagem teve a participação do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, do vice-procurador-geral da República, de membros do Ministério Público Federal e de familiares do homenageado.

Ao relembrar a vida e o trabalho do procurador, o vice-PGR destacou que a atuação de Pedro Jorge como membro do MPF sempre foi marcada pela humildade e pelo afinco no combate à corrupção e aos crimes financeiros. Para Chateaubriand, a morte do procurador e de tantos outros deve servir de lição e de lembrete para a importância de se enfrentar o crime organizado e a corrupção de forma estruturada, por meio da coordenação dos órgãos responsáveis, num trabalho técnico, discreto, coerente e regido pelos compromissos constitucionais. “É fundamental a adequada estruturação dos órgãos que compõem os sistemas de segurança e justiça, de inteligência e de rastreamento de ativos, mas nada disso funciona sem coordenação, cooperação interna e externa e comunhão de esforços”, afirmou ele.

“Sem deixar de recordar a inspiração que Pedro Jorge nos deixou, a verdade é que não deveríamos precisar de heróis, ao menos dos que assim se reconhecem após sacrificarem a vida pela dedicação a causas maiores, realizadas em prol do interesse comum”, disse. “O dia de hoje marca, portanto, não apenas o exemplo de Pedro Jorge Silva, mas sobretudo a esperança de que a sociedade brasileira reflita sobre os compromissos institucionais em busca de ideais que nos levem a um futuro digno e justo”, concluiu o vice-PGR.

De acordo com Geraldo Alckmin, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a inscrição do nome de Pedro Jorge no livro é uma justíssima homenagem a um homem de coragem. “É também um reconhecimento ao Ministério Público Federal, zeloso do cumprimento da lei e da defesa do interesse público. Que essa homenagem seja uma luz a orientar as novas gerações, para que nós possamos avançar e melhorar”, afirmou.

Roberta Viegas e Silva, filha do homenageado, relembrou a perda, a luta por Justiça e por reconhecimento para o legado do pai. “A história do meu pai marcou a nossa história, a história de Olinda, de Pernambuco, do Ministério Público e a história do Brasil”, disse. Já a senadora Teresa Leitão, autora do projeto de lei que resultou na homenagem, destacou que o livro de heróis e heroínas da pátria busca lembrar quem ofereceu a vida para modificar a realidade e melhorar o padrão civilizatório, o respeito aos direitos humanos e o cumprimento da lei. “Sinto que hoje estamos fazendo um pouco de Justiça a essa trajetória tão exemplar”, afirmou.

O processo de reconhecimento de Pedro Jorge como herói nacional teve início com o Projeto de Lei (PL) nº 03663/2023, de autoria de Teresa Leitão, aprovado no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. Na última terça-feira (30/6), o PL foi sancionado e transformado na Lei Ordinária 15446/2026.

História de vida – O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva entrou no MPF em 1975, com lotação em Pernambuco. Ele foi responsável pelo caso conhecido como “Escândalo da Mandioca”, um esquema que operou entre 1979 e 1981 e desviava recursos públicos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), destinado ao financiamento do plantio de mandioca. Após a investigação, 19 pessoas foram denunciadas pelo procurador, incluindo um deputado estadual, um vereador e oficiais da Polícia Militar. Pedro Jorge recebia ameaças constantes e foi assassinado a tiros três meses depois do recebimento da denúncia pela Justiça, em 1982, deixando viúva e duas filhas.

Documentário - O MPF na 5ª Região, em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco, produziu o documentário “Pedro Jorge: uma vida pela justiça”, lançado no dia 27 de março de 2017 com uma sessão especial no cinema São Luiz, no Recife (PE). O média metragem de 41 minutos conta a história do procurador e sua atuação no caso que resultou em sua morte, aos 35 anos de idade. O filme está disponível no canal do MPF no YouTube.

Em dezembro de 2025, foram divulgadas novas entrevistas relacionadas ao procurador Pedro Jorge, ao processo do Escândalo da Mandioca e ao julgamento dos assassinos do procurador. São registros feitos à época do documentário e também após a exibição do filme, que possuem valor histórico e documental. Esse conteúdo também está disponível no YouTube.

Heróis da Pátria – O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria fica depositado no memorial Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Destina-se a registrar o nome de brasileiros e brasileiras que tenham oferecido a vida para a defesa e a construção do Brasil. A inscrição de nomes no Livro está regulada pela Lei 11.597/07.

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