Na vida, às vezes se apresentam duas opções. Uma é o atalho, cheio de tentações e riscos. Imagine uma ponte estreita, tomada por jacarés, cobras e ratos, que leva você ao outro lado em apenas dois minutos. A outra é o caminho mais longo, uma estrada de barro que você prefere evitar, porque leva quase uma hora, mas sem nenhum risco. O atalho sempre parece mais vantajoso, mais rápido, mais fácil. Mas o preço de atravessar por ele pode ser a mordida, o veneno, a contaminação que você carrega dali pra frente. E muitas vezes o caminho mais longo é, na verdade, o mais inteligente.
Quando alguém, ou alguma situação, se coloca como o jacaré no meio do seu caminho, a tentação é enfrentar de peito aberto, atropelar, insistir na rota mais curta. Mas nem sempre vencer o obstáculo é a melhor resposta. Às vezes a sabedoria está em desviar, dar a volta, escolher o caminho mais longo, não por fraqueza, mas por estratégia.
E aqui vale uma outra lição, que muita gente esquece. Recuar de uma decisão, mesmo de uma proposta que promete milhões, não é ser covarde, não é ser medroso. Às vezes é preciso dar um passo atrás para depois continuar avançando com solidez. Prefira a jornada mais longa, mas segura. Chegar depois, inteiro e sem cicatrizes, vale mais do que chegar rápido e carregar o prejuízo pelo resto da vida.
E você, na sua vida, tem escolhido a ponte dos jacarés, ou a estrada mais longa?
Por Inácio Feitosa
www.inaciofeitosa.adv.brAdvogado, empreendedor e escritor