Proposta prevê redes de proteção com critério técnico e licenciamento ambiental e contraria a ideia de "exterminar tubarões" defendida por Luciano Bivar após os ataques no Grande Recife.
Diante de mais uma semana trágica no litoral pernambucano, o deputado estadual Romero Albuquerque (PSB) protocolou na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei nº 4.154/2026, que estabelece diretrizes para a implantação, manutenção e monitoramento de redes de proteção para banhistas em áreas de risco de incidentes com tubarões no Estado.
A proposta chega dias depois de dois ataques graves no Grande Recife: no domingo (31), um menino de 11 anos teve a perna esquerda amputada após ser atacado em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e seguiu internado na UTI pediátrica do Hospital da Restauração; no dia seguinte, uma jovem de 19 anos foi mordida na perna em Boa Viagem, no Recife. Com os casos, Pernambuco chegou a 84 incidentes com tubarões desde o início do monitoramento, em 1992, a maioria concentrada justamente em Boa Viagem e Piedade.
O projeto determina que as redes sejam instaladas em trechos classificados como de risco elevado, sempre a partir de estudos técnicos, com licenciamento ambiental, sinalização permanente, inspeção periódica e parcerias com universidades e instituições de pesquisa. O texto exige, expressamente, que os equipamentos minimizem os impactos sobre a fauna marinha.
"Proteger a vida de quem entra no mar é obrigação do Estado, mas a gente não precisa escolher entre salvar banhista e destruir o ecossistema. Existe tecnologia, existe ciência, existe experiência internacional. O que falta é decisão. Pernambuco não pode continuar enxugando gelo com placa de alerta enquanto criança perde a perna no mar", afirma Romero Albuquerque.
O projeto surge no mesmo momento em que outra "solução" ganhou as redes. O deputado federal Luciano Bivar (MDB), que admitiu não ser biólogo nem ambientalista, defendeu "controlar a proliferação" dos tubarões e sugeriu espalhar linhas de espinhel pelo litoral e até exterminar parte dos animais, comparando a medida à caça de elefantes no Quênia.
Para Romero, a ideia é o exemplo perfeito do que não se deve fazer.
"Com todo respeito, matar tubarão é um palpite infeliz. Espinhel é anzol que mata indistintamente: tartaruga, raia, peixe, o que vier. E exterminar predador de topo de cadeia não resolve ataque nenhum, mas desorganiza ainda mais o mar. Pesquisadores vêm dizendo há anos que os ataques no Recife têm a ver com a alteração do habitat provocada pela construção do Porto de Suape, que empurrou os tubarões para as nossas praias. O problema não é que apareceram tubarões demais. É que mexeram na casa deles. A resposta certa é proteger o banhista", Romero concluiu.